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29 / DEZ / 2022 Morre Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos

Atualizado: 31 de dez. de 2023




A lenda do futebol, Édson Arantes do Nascimento, o Pelé, morreu em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos. O ex-atleta, considerado o maior jogador de todos os tempos, se tratava de um câncer no cólon desde 2021. Nos últimos meses, a doença se espalhou e ele não resistiu. 


Início da trajetória de Pelé

Mineiro da cidade de Três Corações, Pelé era filho de um jogador de futebol. Ainda na infância, ele se mudou para Bauru (SP), quando seu pai, João Ramos do Nascimento, conhecido como Dondinho, assinou um contrato com a equipe do Lusitana Atlético Clube, que depois se transformaria no Bauru Atlético Clube.

Imagem: Getty Images

Dondinho levou para lá a esposa Celeste, a mãe Ambrosina, o cunhado Jorge Arantes e os filhos Maria Lúcia com 8 meses, Jair, o Zoca, com 2 anos, e Edson, com 4. Fã de futebol desde pequeno, Edson admirava um goleiro do Vasco conhecido como Bilé. Porém, como a dicção do garoto ainda estava em formação, "Bilé" passou a ser pronunciado como Pelé. Assim, ele ganhou o apelido que o tornaria famoso. No início, o menino se irritava com a alcunha, mas depois foi se acostumando.

Os primeiros times em que Pelé jogou foram todos na cidade de Bauru. Com 11 anos, jogou no 7 de setembro, América, Bauru Atlético Clube (Baquinho), Noroeste, e à noite jogava futebol de salão na equipe do Radium. Sua estreia profissional foi em 1956, no Santos Futebol Clube, onde jogou por quase toda a sua carreira e fez parte de um "trio de ouro" ao lado de Pepe e Coutinho.

Imagem: Getty Images

Copa do Mundo aos 17 anos

Com apenas 17 anos, Pelé entrou para a história ao conquistar a primeira Copa do Mundo para o Brasil, em 1958, na Suécia. Quatro anos depois, repetiria o feito com o título mundial no Chile. Em 1966, a seleção acabou eliminada na primeira fase, e Pelé disse, mais tarde, que até tinha pensado em parar de jogar futebol por causa do fracasso na competição. 

Pelé já era considerado uma lenda em 1969, quando marcou seu milésimo gol. O fato aconteceu em um jogo disputado no Maracanã, contra o Vasco, com vitória do Santos por 2 a 1, em uma partida sem grande importância na classificação do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Pelé anotou o segundo gol do Peixe na partida, em uma cobrança de pênalti contra o goleiro Andrada. 

Assim que atingiu a marca, Pelé caiu nas redes, beijou a bola e fez um apelo para o mundo: "pelo amor de Deus, minha gente! Agora que todos estão ouvindo, faço um apelo especial a todos: ajudem as crianças pobres, ajudem os desamparados. É o único apelo nesta hora muito especial para mim", disse Pelé, emocionado.

Pelé e Zagallo (Imagem: Arquivo Nacional, via Wikimedia Commons)

Em 1970, na Copa do México, Pelé provou que era o Rei ao levar a Seleção Brasileira à conquista do terceiro título mundial. Além dele, a equipe contava com jogadores de grande prestígio nacional e internacional, como Tostão, Rivellino, Gérson, Jairzinho, entre outros. 

Curiosamente, pouco antes do Mundial, o então treinador do Brasil, João Saldanha, não havia convocado Pelé por conta de uma lesão. Contudo, Saldanha foi demitido antes da Copa do Mundo e o seu sucessor, Zagallo, tratou de chamar Pelé para disputar o campeonato na México.

Imagem: Getty Images

Ao todo, Pelé vestiu a camisa da seleção 115 vezes, com 97 gols marcados. Na sua carreira, anotou 1.281 gols (incluindo os que marcou enquanto ainda era jogador amador). Pelo Santos Futebol Clube, onde jogou de 1956 a 1974, acumulou títulos como duas libertadores, cinco copas do Brasil, uma Taça de Prata e 10 campeonatos paulista.

Atleta do Século

No final da carreira, Pelé defendeu o Cosmos, de Nova York, onde conquistou o título da liga nos Estados Unidos. Sua retirada oficial dos gramados aconteceu em 1977. Por conta da sua vitoriosa carreira, recebeu do jornal francês L'Equipe o título de Atleta do Século de todos os esportes, em 15 de maio de 1981. 

Pelé com Gerald R. Ford, então presidente dos EUA (Imagem: Casa Branca/National Archives/Domínio Público)

Paralelamente à carreira no futebol, Pelé também atuou no cinema. Sua primeira participação foi no filme O Barão Otelo no Barato dos Bilhões (1971), no qual faz uma participação especial como um banqueiro rico e generoso. No ano seguinte, estrelou A Marcha, interpretando o escravo Chico Bondade. Também contracenou com Os Trapalhões, em Os Trapalhões e o Rei do Futebol, de 1986. 

Seu filme mais famoso é provavelmente Fuga para a Vitória, dirigido por John Huston, no qual atuou ao lado de Sylvester Stallone e Michael Caine. Nele, Pelé e Stallone são prisioneiros numa prisão nazista, planejando sua fuga durante uma partida de futebol contra os oficiais alemães.

Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Além do cinema, Pelé também se arriscou pela música. Um ano antes de tornar-se tricampeão mundial com a Seleção, ele gravou um compacto duplo, intitulado Tabelinha, em duo com Elis Regina. O disco trazia duas composições de autoria dele: a bem-humorada "Vexamão" e a romântica "Perdão Não Tem Vez". Em 1978, lançou um LP com o pianista Sérgio Mendes (precursor da Bossa Nova, radicado nos EUA) no qual emplacou seis canções. Uma delas é Cidade grande, gravada depois por Jair Rodrigues. Em 2020, lançou "Acredita no Véio", gravada em parceria com a aclamada dupla de violonistas mexicanos Rodrigo Y Gabriela.

Desde que se aposentou dos gramados, Pelé atuou como embaixador internacional do futebol e trabalhou com as Nações Unidas e a UNICEF para promover a paz e a reconciliação internacional por meio de competições atléticas amistosas. Pelé também teve uma passagem como comentarista esportivo na TV Globo.

Pelé na África do Sul durante evento da Copa de 2010 (Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

No fim de 1999, o Comitê Olímpico Internacional elegeu Pelé o Atleta do Século. Em 2000, a Fifa também o elegeu "O Jogador de Futebol do Século XX", numa votação realizada por ex-atletas e ex-treinadores.

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